Denise Salussoglia Khoury, adeus

25 nov 2009 - 07:37

Tinha o olhar e a feição daquelas pessoas que pairam sobre a terra e a gente, mesmo sem conhecer muito, tem certeza de que jamais seria capaz de fazer mal, pensar um mal. Nas ruas do bairro Seminário, onde não faltam árvores, muitas delas floridas, brincou a infância, fez amizades, recebeu a energia da vida gerada pelo Giorgio e pela Maria, de sobrenome Salussoglia. Não conheceu o tio que se tornaria um marco da literatura da literatura brasileira, de nome Newton Sampaio, pois este foi embora cedo, antes dos 25. Ontem, durante um telefonema que fazia do local de trabalho, a Secretaria de Planejamento, no Palácio das Araucárias, disse um adeus de forma estranha, pois se sentiu mal, contou isso e foi embora para sempre, num acontecimento dessa vida onde nos faz pensar da efemeridade da existência, pois estava muito bem de saúde, no auge da força dos 53 anos, ela que se cuidava para cuidar do Jorel, seu amado, do filho Danilo, das irmãs Silvia, mesmo esta morando na Amsterdã, na Holanda, e Mariza. Conheci a Denise porque amiga de infância, das ruas do Seminário, da Sonia, minha amada e companheira. Fui algumas vezes à casa dela, normalmente em festas, ou na casa dos pais. Estava sempre flutuando no sorriso. Dela aprendi muito sobre o amor, essa coisa indecifrável e que nos faz suportar o peso do resto. De como esperou o amado depois de um longo intervalo de tempo onde, no final das contas, não importa o porquê do afastamento, e sim o retorno. O Jorel sempre gostou das motos, da velocidade, do risco calculado. Ela só não se aboletava na garupa, mas aposto que o abençoava toda vez que saía para voar pelas estradas em foguete de duas rodas. Como era e é anjo, ele sempre voltou. Um dia nos encontramos na entrada de uma churrascaria. Encontro não previsto. Dali saí à procura de minha primeira moto, eu que antes não podia nem andar de bicicleta sob o risco de me atropelar. Era um sonho que realizei quando podia, por conta da sobriedadade. Hoje, agora, acho que peguei carona na proteção que ela sempre fez ao Jorel, que me indicou a máquina. Fosse outra, diria: não compre! Lembro agora que ela apenas sorria no seu jeito simples de ser. Na verdade, penso agora, Denise era a amiga com quem não fiz amizade, mas amiga como deve-se ser, sem cobrança. Bonita feito o pai e a mãe. Alegre como os dois. Acho que ao encontrar o tio  vai perguntar porque ele era tão ferino na escrita. Mas isso é outra história.

4 Comentários para “Denise Salussoglia Khoury, adeus”

  1. Pri Jaworski Diz:

    Meus sentimentos à Família Khury, que Deus conforte seus corações e lhes dê forças para continuar a caminhada sem a Deni. Algumas coisas não tem explicação e tão pouco lógica, mas a demora no atendimento à ela ontem no Palácio das Araucárias, nos deixa tão consternados quanto à sua partida!

  2. CR Diz:

    Zé, chegou a falar com a família? Sabia que demorou pelo menos 40 minutos até chegar a ambulância? Que o Palácio das Araucárias não tem um médico, desfibrilador? É o descaso total com quem ali presta serviço. Que também é povo. E também vota.

  3. Olga Diz:

    Me parece que este prédio é totalmente insalubre. No inverno os servidores tem que usar cobertor em suas pernas e no verão o calor é insuportável. Interessante uma análise melhor sobre estas instalações que podem ser a causa direta de mal estar nas pessoas que são obrigadas a ficar algumas horas por dia ali dentro.

  4. Ceres Diz:

    Oh Denise, Denise, minha cunhada… Como doeu estar sentada junto de você na hora horrível daquela fatalidade. Outro dia, escutei que só os justos morrem assim…
    Minha cunhada não tinha inimigos, era dedicada ao filho e alma gêmea do meu irmão. Teve uma morte que não lhe trouxe dor; morreu de aneurisma cerebral.
    Foi muito triste que nada podia ser feito pra trazer de volta aquela que foi tão querida por todos, pela intensidade do problema que veio a causar o seu falecimento.
    Deni, eu tenho certeza, que você esta perto dos justos, daqueles que lutaram para um mundo melhor, como você.
    Vou sentir saudade. Um beijo.