Mestre Salustiano, adeus

31 ago 2008 - 19:57

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Mestre Salustiano e sua rabeca

Do G1:

Manoel Salustiano Soares – o Mestre Salu – morreu de arritmia cardíaca provocada pela doença de Chagas por volta das 7h30 deste domingo (31), no Pronto-socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape). O artista estava com 62 anos.  O velório acontece na Casa da Rabeca, em Olinda, espaço onde mestre Salu tocava e levava diversos representantes da cultura popular. O enterro será na próxima segunda-feira (1º de setembro), no cemitério Morada da Paz, em Paulista. O horário do sepultamento ainda não foi decidido. Considerado um dos precursores do manguebeat - e mestre de nomes como Siba, Antônio Nóbrega e Chico Science - ele foi um dos grandes responsáveis pela preservação de manifestações culturais da Zona da Mata, como ciranda, coco, maracatu e caboclinho.

Mestre Salu nasceu em Aliança, na Zona da Mata de Pernambuco, no dia 12 de novembro de 1945. Foi um dos maiores dançadores de cavalo-marinho da região, interpretando diversos personagens. Ele deixou quatro discos gravados: “Sonho da rabeca”, “As três gerações”, “Cavalo-marinho”, e “Mestre Salu e a sua rabeca encantada”. Salu é considerado uma das maiores autoridades em cultura popular no Estado. Ele foi o criador do maracatu Piaba de Ouro, um dos mais premiados do carnaval de Pernambuco. Seu pai, João Salustiano, foi quem o ensinou a fazer e a tocar a rabeca. Além dos instrumentos, o artista também confeccionava os bichos do bumba-meu-boi, além das máscaras do cavalo-marinho, feitas de couro de bode ou de boi; e os mamulengos de mulungu.

“Salu era para a gente como se fosse uma ponta de lança”, diz o guitarrista Lúcio Maia, da Nação Zumbi. “Ele tocou a vida inteira o Piaba de Ouro, um bloco tradicional pernambucano, elevou muito as tradições e teve o prazer de viver de sua arte, assim como Lia de Itamaracá e Dona Selma.” 

“Mestre Salu foi muito importante em Pernambuco porque ele foi um dos primeiros a estabelecer uma ponte entre a cultura da Mata Norte e os órgãos do poder público”, diz o rabequista Siba, criador do grupo Mestre Ambrósio. “Mais do que isso, ele conseguiu firmar um nome.”

Em 1965, Salustiano foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Pernambuco e já percorreu, com a sua arte, a maioria dos estados brasileiros, além de países como a Bolívia, Cuba, França e Estados Unidos. Recebeu ainda, em 1990, o título de “reconhecido saber” concedido pelo Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco e o de comendador da Ordem do Mérito Cultural, em 2001, pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

2 Comentários para “Mestre Salustiano, adeus”

  1. Carlos Barbosa Diz:

    À benção, e muito obrigado, mestre Salustiano!

  2. Pé Vermelho Diz:

    Tanta dupla de tomateiros sobrando e Deus leva logo um Salustiano…Mais juízo, Pai Eterno.