Paulo Branco vai de blog para contar parte da história do radiojornalismo no Paraná

25 jul 2008 - 06:51

Paulo Branco usa óculos escuros e, para quem costuma olhar pessoas e ama o cinema, aos 77 anos pode até ser confundido com algum artista do cinema italiano da década 40, 50, por aí. Paulo Branco aposentou o microfone no dia em lhe avisaram, durante uma festa de fim de governo, que no dia seguinte estaria desempregado e as rádios do interior do Paraná que transmitiam notícias do Palácio Iguaçu deixariam de ouvir o vozeirão do “locutor que vos fala”. Pensa que ele esquentou a mufa recoberta por cabelos brancos? Achou que sua missão estava cumprida, foi para casa, pensou com calma durante seis anos e, no dia 22 de março passado jogou no universo da internet um blog, sim, um blog (www.pbradialista.blogspot.com), porque este gaúcho de Passo Fundo é tri-moderno, tchê!, e começou a contar as suas histórias vividas em mais de cinco décadas de vida profissional. Ele estreou na Rádio Cultura de Erexim em 1952. Em Porto Alegre, onde trabalhou na Gaúcha, transmitiu até desfile de carnaval, onde a magia era enviar, pelo “éter”, situações, cores, cheiros, emoções, para o querido ouvinte viajar na imaginação. Em 1964 desembarcou em Curitiba para fazer parte do primeiro time da rádio Independência. Emprestou seu talento também à Atlaia, à Cidade e à Educativa, para onde foi no governo de Alvaro Dias. Saiu no de Lerner, mas isso é mais uma parte da história que ele relata em capítulos que deverão se transformar em livro. Ali, o relato de seu encontro com um ídolo, ganhará destaque. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele se extasiava ao pé-do-rádio ao ouvir os relatos do correspondente Al Neto. Anos depois, foi escalado para entrevistá-lo. Aprendeu, então, uma das grandes lições profissionais de sua longa carreira. Antes de entrar no ar, ao vivo, conversou longamente com Neto. Na realidade, relembra, perguntou tudo o que tinha curiosidade de saber. Quando a luz vermelha do estúdio se acendeu… Cadê a curiosidade que faz de uma entrevista feita entre quem tem talento e quem tem história? O que foi ao ar ficou meio aguado, mas Branco nunca mais esqueceu a grande lição. Que passa agora no seu blog, a quem se interessa pela história do rádio no Paraná.

4 Comentários para “Paulo Branco vai de blog para contar parte da história do radiojornalismo no Paraná”

  1. Jorge Eduardo Diz:

    Paulo Branco é dez. Sem falar que é um grande gozador. Nos tempos do governo Lerner ele montou junto com a mulher uma lojinha num shopping popular. Como é louco por rádio, seu cartão de visitas avisava: “Paulo Branco: rádio-lojista”.
    Longa vida a Paulo Branco e a seus escudeiros Enevaldo e Alexandre.

  2. bad link Diz:

    http://pbradialista.blogspot.com/ - no seu post tem um “br” a mais.

  3. zebeto Diz:

    obrigado, bad link. corrigido. continue assim. abraço. saúde.

  4. Gilberto Larsen Diz:

    Falar do Paulo Branco e sua obra é falar de um comportamento profissional em extinção nos meios de comunicação.
    Ele soube trabalhar no veículo rádio com respeito a opinião pública, e trabalhar no governo com bom humor e - principalmente - com opinião própria.
    Dizer o que mais?
    Que não lhe falte fumo para o cachimbo e que o sol nunca se apague em sua vida para sempre usar óculos escuro.