O triste fim do Governo Requião
Postado por ruth em 14/03/2010 em Paraná, PolíticaComente agora »
O número é cabalístico, mas descontando sábados e domingos, faltam 13 dias para o governador Roberto Requião concluir o seu terceiro mandato à frente do governo do Paraná,tempo apenas superado na nossa história pelos 13 anos (olha o 13 aí de novo, meu Deus do Céu) do interventor, Manoel Ribas, o Maneco Facão, nos longínquos anos 40. É cedo demais para avaliar a herança da era Requião na economia e no desenvolvimento do Paraná e isso a história, sem a emoção da hora, o fará com maior precisão. Mas é visível que nesta reta final de saída, o governador vem sabotando, por sua própria conta e risco, a imagem que deveria deixar para os paranaenses: senão a de um perfil político ousado, administrador probo e com visão de estadista, porque o longo tempo de convivência corrói qualquer fantasia, mas pelo menos a de um governador que sempre teve o mando do seu terreiro, tanto do ponto de vista institucional como partidário.
No lugar do político ousado, que o levou a vencer, por três vezes, grupos poder da República pelo seu partido, o PMDB, que desapareceu sem mais nem menos e só não se tornou uma piada de mau gosto pela desimportância do fato no cenário nacional peemedebista. A partir desta patacoada praticamente isolada e sem sentido, pouco antes do verão, o governador Roberto Requião passou a agir tal qual um daqueles bonecos de postos de gasolina que se animam pra lá e pra cá conforme o vento manda. Discursou e discursou contra a política econômica do aliado presidente Lula, acusou em praça pública o ministro paranaense,Paulo Bernardo,do Planejamento, de ladrão e twittou à vontade contra o PT do Paraná, que tem dois secretários de Estado no governo dele, o que afastou qualquer entendimento entre o PMDB e o PDT do senador Osmar Dias. E fez que não viu que seus deputados de cozinha, aqueles que freqüentam a granja do Canguiri, residência oficial do Governo, dia sim e dia também, estavam pulando a cerca em direção ao candidato do PSDB, Beto Richa, adversário de sempre. Num lance de desprezo total à coerência partidária, manteve silêncio diante da tentativa de seus áulicos de defenestrarem o velho companheiro, deputado Waldyr Pugliesi, da presidência do PMDB do Paraná e oferecer-lhe o cargo vago na bandeja do puxassaquismo.
E nesta semana, às vésperas de deixar o cargo, tratou nos cascos as manifestações contrárias da Polícia Militar ao seu Plano de Cargos e Salários para a tropa, na base de “rua e cadeia” para os insatisfeitos. Na gritaria, não percebeu que o significado real do movimento da PM do Paraná vem na esteira da corrosão do poder, que lhe escapa pelo vão dos dedos. Daqui mais duas semanas, eis aí um Roberto Requião como cidadão comum e com uma campanha para o Senado pela frente. E aí será a hora de pedir voto. Ou da onça beber água.
A bola de Lula
Postado por ruth em 12/03/2010 em Brasil, Paraná, PolíticaComente agora »
A entrevista do presidente Lula, exclusiva, ao deputado do PDT, Luiz Carlos Martins, da rádio Banda B de Curitiba, hoje de manhã, foi longa, divertida e até premonitória, como deveriam ser todas as entrevistas de presidentes da República. No final, ao fazer mais uma de suas parábolas com o futebol, Lula “narrou” um jogo local para finalizar a conversa: “ então, a bola está com Dilma, que passa para Requião, que passa para Pessuti e Pessuti olha para Lula e não passa. Mas vai passar daqui a pouco…”
Pelo jeito, a raiva que o presidente vinha curtindo por causa dos gols que Requião anda fazendo contra o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já se desfez, e agora é bola pra frente pra eleger Dilma Rousseff . Mas por enquanto, Roberto Requião, Osmar Dias e o PT do Paraná juntos só mesmo no palanque de visita presidencial.
Sob o domínio dos cínicos
Postado por ruth em 12/03/2010 em Paraná, PolíticaComente agora »
Nenhum candidato ou pré-candidato e nenhum partido neste mundão do meu Deus pode levantar a mão e atirar a primeira pedra sobre quem faz propaganda antecipada às eleições de outubro. Nesta semana o nanico PRP, Partido Republicano Progressista, entrou com ação contra as duas candidaturas da família Requião, o próprio governador, que vai brigar por uma vaga ao Senado e o sobrinho dele, João Arruda, bonitinho que ele só, candidato à Câmara Federal. Sob a mesma acusação de ambos tentarem vender o peixe antes da hora. Incluiu também os out-doors da candidata ao senado,Gleisi Hoffmann. Ora, os maus exemplos nesta área pululam: o prefeito Beto Richa está há um ano percorrendo o Paraná como candidato ao Governo e tem até aqueles jornais do Interior que publicaram anúncios pagos pela prefeitura de Curitiba. É prova documental, portanto. O presidente Lula desde o ano passado percorre o País com sua candidata, Dilma, que já é conhecida no norte/nordeste do País, como a “mulher do Lula”, ou “Mulher Dochefe”, corruptela popular do sobrenome dela. É um cinismo sem par e a Justiça Eleitoral (que anteontem já multou o presidente Lula e Dilma por propaganda eleitoral antecipada) vai ter dificuldades imensas para garantir a igualdade. É aquela história: ou mantenha-se a moralidade ou nos locupletemos todos.
Pau de galinheiro
Postado por ruth em 12/03/2010 em Paraná, PolíticaComente agora »
Na semana em que completa 75 anos o Porto de Paranaguá leva uma bordoada da Câmara Municipal da cidade. Os vereadores aprovaram requerimento no último dia 09 onde consideram “Persona non grata” o superintendente da APPA, a poderosa administração portuária, Daniel Lúcio de Oliveira, que assumiu o cargo no lugar e com o apoio do ex-superintendente, Eduardo Requião. Alegam os vereadores que até agora nenhuma das promessas de Daniel Lúcio foi cumprida, a começar por obras fundamentais como o aprofundamento dos berços do Porto, a construção de um novo silo público e a velha e boa dragagem. A rejeição ao novo superintendente tem endereço certo: o vice-governador, Orlando Pessuti, que assume o Governo dentro de 20 dias e está começando a formar a própria equipe. Paranaguá quer mudança na APPA.
A PM sublevada
Postado por ruth em 11/03/2010 em ParanáComente agora »
Com panos quentes nas mãos, os comandantes da PM do Paraná justificaram, ontem, como “problemas de comunicação” a reação contrária da tropa ao Plano de Reestruturação de Salários e Carreira enviado pelo Governo de Roberto Requião para a Assembléia Legislativa. Mas o buraco é mais embaixo. A paralisação, mesmo que temporária, da Polícia Militar quebra a hierarquia, base de qualquer corporação militar, e mostra claramente que a autoridade do Palácio Iguaçu está enfraquecida. Podem ser dois os motivos: a aproximação do fim da era Requião, prevista para daqui a 20 dias, ou o desgaste da autoridade do próprio Governador, o que não reduz, em qualquer dos casos, a gravidade da sublevação militar. Ontem, o Governador Requião reagiu com a costumeira gritaria à ação da PM, chamou-a de “ safadeza política” e ameaçou os sublevados com “cadeia e rua” o que também não lhe devolve a autoridade, nem arrefece os ânimos exaltados da tropa.
E o erro continua na origem, se como afirma o alto comando da PM, na mesma linha do próprio Governo, que defende o Plano de Carreira enviado para a Assembléia como o “ó do borogodó”, o problema todo está na ausência de comunicação,porque não houve tempo hábil para que soldados, cabos, sargentos e majores entendessem que serão beneficiados a curto e médio prazo. Ou mais claramente, se tinha um bom plano nas mãos, se queria beneficiar os Policiais Militares do Paraná, o governo Requião não poderia colocar tudo a perder por causa de um problema que qualquer bom comunicador de massa, que existem as pencas ao redor de Governos em geral, resolveria com um pé nas costas.
Os próximos dias desta guerra tensa entre o Palácio Iguaçu e a PM do Paraná , com todos as suas conseqüências, vão acabar esclarecendo quem está com a razão. Mas , de pronto, seja lá qual for esta razão, a responsabilidade pelo Plano de Carreira e pela reação da PM, é do governo de Roberto Requião.
De fonte a autor
Postado por ruth em 11/03/2010 em Paraná, Política1 Comentário »
Porque sempre circulou com extrema desenvoltura no meio político nacional, e pelas experiências dramáticas pelas quais passou, o advogado Roberto Bertholdo sempre foi uma fonte preciosa para a imprensa brasileira. A tal ponto que, em algumas crises que abalaram a república petista, a “Folha de São Paulo” chegou a enviar correspondentes e repórteres especiais apenas só para ouvi-lo em Brasília. Há quase 3 anos, Bertholdo fundou o “Jornale”, o primeiro pela Internet e online do Estado e , se todo mundo acreditava que o novo jornal teria vôo curto, a realidade mostrou o contrário. Agora, Bertholdo deixa a casca e decide , ele mesmo, ir à luta com um blog no próprio “Jornale”. Se contar o que sabe, e o que ouve todos os dias, não vai ter pra ninguém em termos de informações quentes na política e de primeira mão. Ou de primeiro ouvido.
Imprensa e Vigilância
Postado por ruth em 11/03/2010 em Paraná, Política1 Comentário »
A reação unânime da imprensa do Paraná contra aquela papagaiada da Assembléia Legislativa do Paraná de conceder segurança a ex-governadores matou o assunto de vez. Os deputados que pretendiam agradar o governador Requião, que sai, e o vice, Pessuti, que entra, recolheram as asinhas e agora se fingem de mortos. Ninguém quer nem falar mais sobre isso.
É muito bom pra todo mundo. Até porque era um assunto pra lá de chato mesmo.
Esqueçam o que vivi
Postado por ruth em 10/03/2010 em Brasil, PolíticaComente agora »
O PT atazanou durante anos o presidente Fernando Henrique Cardoso por causa daquela frase infeliz “esqueçam o que escrevi” onde o Príncipe dos Sociólogos tentava justificar eventuais guinadas à direita do governo dele, dizendo que no exercício do poder não poderia aplicar as teorias de um opositor contumaz do regime militar. Agora, o PT que está no poder vai ter que encarar uma comparação difícil de engolir que o ex-sindicalista de esquerda,Luiz Inácio da Silva, fez ontem. Numa entrevista a jornalistas estrangeiros, ao responder sobre a greve de fome dos dissidentes cubanos, Lula colocou no mesmo patamar presos políticos, aqueles que perdem a liberdade por causa de idéias e ações contra as ditaduras de plantão e bandidos presos por crimes que vão de estupros seguidos de morte, latrocínio, tráfico, a seqüestros. Algo assim como comparar Nelson Mandela a um tipo como Fernandinho Beira Mar.
O presidente Lula ficou preso 40 dias por conta do ativismo sindical nas montadoras do ABC paulista na década de 80 e sempre se orgulhou deste período da própria biografia que lhe abriu caminho para a política e, finalmente, para a Presidência da República. Ao comparar presos políticos a bandidos comuns reprisa FHC e recomenda, de certa forma, que “esqueçam o que vivi”. A lamentar que, tanto no caso de FHC como no de Lula, ambos pedem que a gente esqueça a melhor parte da biografia deles e nos levam a duas conclusões óbvias: 1) se queres conhecer um homem, dê-lhe poder; 2) a gente conhece um homem muito mais pelo que ele esconde.
A Casa dos Apelidos
Postado por ruth em 10/03/2010 em Curitiba, Política2 Comentários »
Os vereadores de Curitiba debatem projeto de lei que quer acabar com os apelidos na casa. Mais uma perda de tempo: depois que Lula foi eleito presidente do Brasil, apelido virou coisa chic e há muito tempo a lei eleitoral o permite. E de mais a mais, apelidos como “João do Suco” ou “Julião da Caveira” ou algo que o valha, estão de acordo com o nível dos debates e da eterna subserviência que caracterizam a atuação daquela Casa de Leis.
Outrossim, considerações como esta sobre a Câmara de Curitiba explicam porque esta brava colunista, conhecida em muitos círculos políticos como ofídica,a exemplo do sapo do mestre Guimarães, não destila veneno por boniteza,mas por “percisão”.
A mesma cruz
Postado por ruth em 10/03/2010 em PolíticaComente agora »
Com um ano de diferença,o ministro Paulo Bernardo, 58, e o vice-governador, Orlando Pessuti, 57, fazem aniversário no mesmo dia, 10 de março. Além da data, ambos tem mais uma coisa em comum: a sina de conviver bem próximo ao ao governador Roberto Requião. No momento, quem carrega a cruz mais pesada é o ministro Paulo Bernardo.