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Sábado, 31/07/2010

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Jovem que estava com assassino de Glauco se entrega

Rapaz disse que foi obrigado por Cadu a dirigir até casa do cartunista


 

Felipe Iasi, 23, o rapaz que levou Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, até a casa do cartunista Glauco Vilas Boas, 53, se entregou à polícia na Delegacia Seccional de Osasco (na Grande São Paulo), na tarde deste domingo (14).

Aos policiais, ele disse que foi sequestrado por Cadu, como é conhecido o acusado de matar o cartunista e seu filho Raoni, 25, na madrugada de sexta-feira (12), e ameaçado com uma arma para ir até o local do crime. Cadu teria dito, segundo Iasi, que "precisava esclarecer que era Jesus Cristo".

Em sua página na rede social Orkut, Felipe é amigo de Cadu e está nas mesmas comunidades da rede do acusado de matar Glauco e seu filho. No Orkut, os dois amigos são fãs do bairro Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, do cantor Bob Marley, de festas raves e e estão na comunidade "Eu amo a minha mãe".

Iasi não deverá ficar detido, segundo o delegado da Seccional de Osasco, pois não será pedida sua prisão preventiva.
 

Cássio Paulete, advogado do Iasi  negou que o veículo tenha sido usado na fuga do suspeito de assassinar o cartunista Glauco Villas Boas, e do filho Raoni.

De acordo com advogado, Felipe recebeu um telefonema de Eduardo Sundfeld Nunes, 24 anos, para um programa normal de jovens. "Depois que entrou no carro, Cadu (como é conhecido Carlos Eduardo) apontou uma arma para Felipe e o obrigou ele a levá-lo até a residência de Glauco", disse.

Felipe teria dito que chegando lá, a enteada de Glauco foi rendida e Cadu a obrigou a chamar a mãe também. "Ele falava coisas desconexas, dizendo que era Jesus", disse.

O defensor de Felipe disse que todos foram mantidos por Cadu sob a mira da arma e Glauco tentava acalmá-lo dizendo que iria com ele para a casa de sua mãe. Raoni chegou e a discussão foi reavivada. "Nesse momento Felipe viu a oportunidade de fugir, correu, entrou no carro e foi embora", disse.

De acordo com o advogado, Felipe não sabe como Carlos Eduardo deixou o local.

O proprietário do veículo não era procurado e nem suspeito do crime. O carro foi entregue pela família de Felipe à polícia.

No sábado à noite, a polícia informou ter localizado o veículo que foi usado na fuga do suspeito de cometer o crime.

Glauco começou sua trajetória como cartunista nos anos 70, no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto (SP). Ele publicou suas tiras também na Folha de S.Paulo e na revista Chiclete com Banana. O cartunista é famoso por ter criado personagens como Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Na casa de Glauco, eram realizados cultos da Igreja Céu de Maria, que segue a filosofia do Santo Daime, prática religiosa cristã, ecumênica, que repudia todas as formas de intolerância religiosa. Os seguidores tomam o chá conhecido por esse nome. Para eles, a bebida amplia a capacidade perceptiva, criativa, cognitiva e de discernimento, elevando a consciência do ser humano.



O cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25, foram mortos a tiros na casa do cartunista, em Osasco (Grande São Paulo), na madrugada de sexta-feira (12).

Segundo as testemunhas, o suspeito chegou ao local e rendeu a enteada de 30 anos, que mora em uma casa no mesmo terreno. Glauco e a mulher Bia ouviram gritos, foram ao quintal, e começaram a conversar com Nunes.

Ele era conhecido da família por já ter frequentado a igreja Céu de Maria, que segue os princípios do Santo Daime e foi fundada por Glauco.

Segundo o relato das testemunhas, Cadu, como era conhecido o estudante, delirava e queria levar todos para a casa de sua mãe, em São Paulo, com o objetivo de afirmarem à mulher que ele era Jesus Cristo. Ele estava armado com uma pistola automática e uma faca.

Glauco tentou negociar com Nunes para ir sozinho, e chegou a ser agredido. De acordo com o delegado Archimedes Veras Júnior, responsável pela investigação, Glauco não reagiu.

No meio da discussão, porém, Raoni chegou ao local de carro. Em seguida, Cadu atirou contra pai e filho, mas os motivos ainda não foram esclarecidos. Os dois chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram e morreram.


 

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