(por Paulo Motta) Esqueça tudo o que você já ouviu falar sobre “ambiente requintado e boa comida”. Não que as duas coisas não possam andar juntas, mas quem lê o blog com frequência sabe como eu valorizo aqueles lugarzinhos aparentemente sem graça, mas que servem uma comida dos deuses, pra não dizer outra coisa.
Prova disso nós tivemos há alguns dias, quando passávamos em frente ao Restaurante do Patrício e o cheiro de comida que vinha da cozinha nos levou para dentro. Parecia aquele desenho do Pernalonga em que ele prepara cenouras e acaba atraindo os caçadores pelo cheiro. Nossa, que flashback eu tive agora.
O ambiente é o mais simples possível: mesas simples, toalhas brancas e o garçom à espera de clientes, sem falar na casa antiga, sem muita preocupação com a decoração. Não se assuste. É a prova de que para resistir ao tempo e aos restaurantes moderninhos, só mesmo com uma comida de primeira.
O sistema da casa é o rodízio de comida árabe, cobrado por pessoa – R$ 30,00 no almoço ou no jantar. Começa pelos frios – tabule, babaganoush, coalhada, kibe cru, homus e salada de pepino, tomate e cebola. Acompanha o pão sírio artesanal, que sozinho já é uma refeição. A fartura até assusta no começo e você pensa que não vai dar conta de tudo. A dica é: aprecie com calma e tudo dá certo.
O tabule é temperado na hora e fica incrivelmente saboroso. O homus (aquele com grão de bico) beira à perfeição, enquanto o babaganoush ( o da berinjela) deixa dúvidas sobre o que, naquele prato, está mais saboroso. Imagine pedaços tenros de berinjela envoltos num molho com sabor levemente defumado. Até agora não saíram da minha memória. O kibe cru é suave e com umas gotas de limão, não tem pra ninguém. Já a coalhada é um pouco mais azeda, mas igualmente saborosa.
Enquanto você ainda se delicia com as entradas, o garçom pede se pode mandar os pratos quentes. Aqui vem a dica: na primeira vez que fomos, a mesa ficou sem espaço para tantas travessas: kibe, esfiha, charutos de repolho e folha de parreira, arroz com lentilhas, kafta, espetinho de alcatra e abobrinha recheada. E juro: você não consegue comer tudo. Então a dica é pedir aos poucos. A esfiha da foto e o kibe foram os primeiros “quentes”. Massa artesanal, recheio bem temperado e com um molho de pimenta, fica perfeito. Já o kibe é sequinho, quase sem vestígios de gordura. Nem parece que foi frito.
Depois foi a vez do arroz com lentilhas, bem tradicional, mas com um exagero delicioso de cebolas. Levemente adocicadas e não queimadas, como é de costume em alguns restaurantes árabes por aí. Acompanhou muito bem a kafta, trazida na mesa no espeto , prova de que estava no fogo à espera do nosso pedido.
Como falei, o rodízio ainda tem espetinho de alcatra, abobrinha recheada e os tradicionais charutos de repolho e de folha de parreira recheados com arroz e carne moída. Não cometi a indelicadeza de pedir para levar as sobras, mas há quem o faça e é permitido.
Se no começo você achou caro pagar R$ 30,oo por pessoa, no final fica pensando que deveria até pagar mais. Tive a impressão de que ali o lucro não é mais importante que a satisfação do cliente. Não à toa a clientela é fiel e o atendimento faz com que a gente se sinta em casa.
Enquanto comia, ficava pensando como somos injustos em certos momentos. Nem sempre escolhemos o restaurante pela comida. Se fosse assim, aquele lugar deveria estar cheio, com fila de espera na porta. Mas estava quase vazio, mesmo com a melhor comida árabe de Curitiba. Uma pena… Total da conta: R$ 32,00 por pessoa. Feliz de quem pensa diferente e dá valor ao que realmente importa: boa comida e atendimento de qualidade, acima de tudo.
O Restaurante do Patrício fica na Rua Francisco Rocha, 222, no Batel. Funciona de terça a domingo no almoço e jantar. O telefone para informações é o (41) 3242-0268. Importante: não aceita cartões, apenas pagamento em cheque ou dinheiro.





