(por Paulo Motta) Já estava sentindo falta de aparecer por aqui e confesso que por pouco não volto mais. Devo dizer que tem horas na vida em que a gente precisa dar um tempo e deixar os compromissos de lado. Juro, estava sentindo falta de sentar à mesa como uma pessoa qualquer, que simplesmente tem fome e quer comer. Uma refeição sem fotos, sem críticas e avaliações. Mas eis que um dia a câmera fotográfica volta a percorrer os lugares e a vontade de escrever aparece novamente. Nesse tempo, tive muitas horas felizes ao redor da mesa, e algumas delas foram no Vivere Parvo, um bistrô em meio à mata atlântica na comunidade de Cabaraquara, região de cultivo de ostras entre Matinhos e Guaratuba.

Vista da baía de Guaratuba com a cidade ao fundo
Partindo de Matinhos, é só seguir pela avenida principal e ir em direção ao ferry-boat. Fique sempre à direita para desviar da bilheteria e da fila para a balsa. Então, siga alguns quilômetros pela estradinha que leva ao Iate Clube Caiobá e logo em frente à comunidade de Cabaraquara. O Eduardo já conhecia a região, pois fez uma matéria em 2009 mostrando o trabalho dos criadores de ostra. O que ele não sabia é que o Vivere Parvo era um bistrô com cozinha de primeira qualidade, sempre movimentado, e com delícias que só provando para descrever.

Um pouco de Mata atlântica pelo caminho

Vivere Parvo
Vivere Parvo significa “viver tranquilo, viver com pouco”, mas apesar da modéstia do nome, o local é para quem gosta de um exagero de sabor e fartura de comida. Sem falar na vista das montanhas cobertas pela mata atlântica e da baía de Guaratuba.

Ambiente rústico com vista para a Baía de Guaratuba

Ostras: do mar para a mesa
O cultivo de ostras fica a poucos metros do restaurante, então assim que saem do mar, as conchinhas chegam à mesa. O cardápio tem opções in natura e gratinadas, uma combinação de sabores melhor que a outra. Uma opção que chamou a atenção foi a caipirostra, servida in natura com cachaça artesanal e raspas de limão (R$ 30,00 com doze unidades). Praticamente uma caipirinha comestível.

Casquinha de camarão (R$ 9,00) para começar o trabalho

Ostras gratinadas com provolone, pomodoro e basílico (R$ 30,00 com doze unidades)
O cardápio não chega a ser grande, mas parece gigante para quem tem fome de tudo. No primeiro dia, provamos a ostra à provençal, assadas com alho, azeite e ervas finas e a ostra gratinada com provolone, pomodoro e basílico, que ficou bonitona na foto. As porções com 12 unidades variam entre R$ 28 e R$ 32,00. Barato não é, mas nem se compara com o custo em Curitiba.

Moqueca de peixe e camarão com farofa de dendê, pirão e arroz (R$ 74,00)
No primeiro dia, a moqueca já tinha chamado a atenção, mas era impossível provar tudo de uma vez. Não tivemos dúvida, ficamos num hotel ali perto e voltamos no dia seguinte para provar mais opções. Espetacular a casquinha de camarão (R$ 9,00) e a de siri (R$ 9,00), servidas numa porção razoável mas que deixa gostinho de quero mais de tão boa que é.

Capricho na preparação e no sabor
A moqueca, por R$ 74,00, leva em torno de 45 minutos pra ficar pronta e é feita com postas de cação e camarões rosa bem graúdos. O tempero não leva coentro, que eu gosto, mas mesmo assim é de comer rezando. Acompanha arroz branco, farofa de dendê bem caprichada e um pirão sensacional. Embora seja um prato para dois, serve bem três pessoas. Outros pratos que nos deixaram babando a cada vez que passavam: linguado à belle muniere, salmão com molho de maracujá e porção de camarão frito. Era muita gula tentar provar tudo, mas não vai faltar oportunidade.
Aliás, jamais imaginaria comer tão bem num restaurante desconhecido e num local improvável em meio à mata atlântica. Mas essa é a prova de que vale a pena deixar o preconceito de lado e fugir dos lugares da moda, seja para descobrir um lugar novo ou para para provar a melhor comida que existe. O Vivere Parvo fica na Estrada do Cabaraquara, em Matinhos – PR. O telefone é o (0xx)41 3473-2121.