
Para comemorar a chegada do Instituto Rio Moda em Curitiba, rolou um talk show muito interessante na Liqüe. Seguem os highlights do bate-papo:
Roberto Meireles, o fundador do IRM é engenheiro naval de formação e contou que a moda entrou na vida dele através da esposa, Alessandra, que tinha uma empresa de moda e hoje presta consultoria para várias marcas. O casal montou o Instituto há 2 anos e meio com o intuito de profissionalizar mais a moda carioca. “A gente comparava o mercado de São Paulo com o do Rio e era nítido como estávamos ficando para trás” disse ele. O lugar funciona como um centro integrado de referência, conhecimento e reflexão sobre a indústria da moda, e oferece formação e capacitação para estudantes e profissionais do setor. O mais bacana de tudo é que as aulas são ministradas por pessoas que trabalham na área, os cursos funcionam como um complemento para aquilo que não se aprende na faculdade e sim na prática. As aulas também não são tradicionais; são feitas de uma forma mais informal, mas com conteúdo sério.

Para o segundo semestre em Curitiba, têm workshops previstos com Dudu Bertholini, Isabela Capeto, André Carvalhal (marketing da Farm) e Alexandra Farah.
Roger Sabbag da Via Mia, contou que teve formação em administração de empresas e montou a marca há 10 anos. Tudo começou no Babilônia Feira Hype (uma espécie de Mercado Mundo Mix do Rio) onde ele vendia acessórios junto com o sócio. O sucesso veio e “chegou uma época em que voltávamos com a pochete com um bolo de cheques” disse ele. “Foi aí que nos ligamos que tínhamos virado empresários” completa. Mas a transição de aventureiro para empreendedor de sucesso não aconteceu do dia para a noite. Foi preciso vender bens, como carro, apartamento, pensar, trabalhar duro e ter muito jogo de cintura para ir em frente e estruturar a empresa. Ele foi aluno de Roberto no Instituto e o considera um mestre. Hoje, a Via Mia tem mais de 16 lojas no Rio, com outras no Sul, Nordeste. “Vamos deixar São Paulo por último, para chegarmos bem estruturados” conta ele.

O CEO da Animale, Roberto Jatahy, é parceiro do IRM. Ele contou que ele e a irmã entraram no mercado de varejo de moda, sem conhecimento técnico algum e por isso, os 5 primeiros anos da marca foram uma sucessão de erros, investimento e pouco lucro. Além disso, também tinham zero conhecimento de negócios, ou planejamento. Mas errando muito foram encontrando sua maneira própria de fazer negócios e moda. Tinham lojas no Rio e encaravam São Paulo como um bicho papão: “Tínhamos medo, mas encaramos. No final, foi a melhor coisa que fizemos, pois aprendemos muito a partir do profissionalismo e experiência de varejo de moda de SP. Aprendemos observando a maneira como lidavam com tudo, e foi maravilhoso” diss ele. Sobre Raquel Zimmermann ele conta “fizemos um contrato com ela à longo prazo, e na época ela era a modelo n. 70 do mundo. Enquanto estava conosco, demos a sorte de se transformar na top n. 1 do mundo”.
Marcelo Bastos, dono da Farm e sócio de Roberto no grupo Animale, também precisou se desfazer de alguns bens para começar seu empreendimento. Ele disse que seu capital inicial foi de 1.200 reais e também começou no Babilônia Moda Hype. A empresa foi crescendo e teve seu impulso final com a “invasão da moda carioca” no Brasil. A marca virou queridinha de muitas jovens no país e acabou de estrear no e-commerce, ainda em fase de testes. “Era uma aposta minha, mas até eu me surpreendí quando vendemos mais de 1 milhão só nos primeiros 45 dias de loja on-line” disse ele. Também admitiu que a marca não vende tão bem no Sul do Brasil, e que a estratégia foi unir-se ao Grupo Animale para desenvolver coleções especiais para cada região, que atendam o grande leque cultural do país.
Roberto ainda falou sobre os planos de entrar no mercado internacional: “Infelizmente, é impossível para uma marca brasileira se internacionalizar. O injusto disso é que o inverso é fácil de acontecer” lamentou ele.