Olha uma matéria sobre Dress Code das buatchys que eu escreví para a Mixmag, acho que muita gente vai se identificar!
Imagine você: sexta feira à noite, animação na medida, dinheiro no bolso, amigos prontos, roupa nova, banho tomado, cheiroso. Chega na porta da balada e é barrado por um segurança meio mal humorado, que te avisa que com essa roupa você não entra. Mas você e seus amigos (e inclusive, as revistas de moda) não vêem nada de errado no seu look – pelo contrário, toda e qualquer dica de moda diz para você ser diferente, encontrar seu estilo e tal – e você, meio inseguro, resolveu arriscar usar aquele chapéu descolado que acabou de comprar. Tenta conversar com o “camarada” da porta, explicando que é a última moda, aí o cara te dá um olhar enviesado e aponta o dedo na direção de uma plaquinha que diz: “Proibido entrar de boné, regata, chapéu e bermuda. Obrigada, a direção.” E solta um categórico “só entra se tirar o chapéu”. Você, contrariado, tira o chapéu e entra, já que essa é a única solução.
Essa situação acontece com mais frequência do que pensamos. Muitas pessoas já passaram pelo constrangimento de serem impedidos de entrar em algum lugar por estarem usando esse ou aquele acessório. Alguns, possíveis de retirar (no caso do chapéu, boné ou corrente), outros nem tanto, como bermudas e regatas. Uns entram, mesmo contrariados, outros se sentem injustiçados e voltam para casa – ou partem para um outro lugar que aceitem suas escolhas de roupa. Juliana Amato foi uma das que já passaram por esse tipo de situação. “Eu estava de calça jeans e camiseta, como estou sempre, e um coturno. A menina da porta olhou feio e eu disse, tirando um sarro: ‘Pô, eu sempre usei isso, e agora está na moda.’A hostess não queria me deixar entrar e não foi muito educada, não.” disse ela. Hostess são profissionais que recepcionam os convidados e detêm a lista VIP. Se a balada tem o perfil que barra as pessoas não adequadas para o lugar, é ela quem escolhe quem entra ou não. Geralmente tem cara de poucos amigos, usa roupas da moda e escolhe quem entra primeiro. Juliana disse que, se não fosse sua amizade com o dono do club, não teria entrado. “Um amigo, que é um dos donos da balada, veio me buscar. Eu não disse em nenhum momento que o conhecia, só liguei para avisar o ocorrido” completa ela.
Barrar pessoas na entrada não é privilégio brasileiro. Na Europa, clubs tem sua hostess montadas em um look de algum estilista famoso, prontamente escolhendo quem entra ou não na casa. E não adianta chorar: se não estiver de acordo com o estilo que a casa quer, não entra. O exemplo mais vivo dessa cena nos remete imediatamente ao mais lendário de todos os clubs: o Studio 54. Aliás, foi ali que o termo “door police” foi inventado. Steve Rubell, o dono da casa, ficava pessoalmente na porta do club, policiando e escolhendo quem teria o privilégio de se divertir lá. Uma vez dentro, tudo era permitido e com sorte, você ficaria amigo de muitas celebridades. Eram os anos 80 e sexo e drogas eram liberados. Diz a lenda que o club às vezes ficava vazio, com festa para pouquíssimas pessoas, enquanto lá fora, milhares de pessoas disputavam a tapa a atenção de Rubell.
Contribui-se muito o “hype” do Studio 54 a esse door police. Apesar de pouco mais de 20 anos de diferença, sabemos que estamos em épocas diferentes, em países diferentes e sistemas diferentes. Continue reading…