
1. Você é geralmente lembrado como “o cara que fez o D-Edge”. O que acha disso?
Acho normal. É um projeto que teve grande repercussão.
2. A tecnologia oferece novos materiais a cada dia. Quais são os seus preferidos?
Tenho dado preferência à matérias reaproveitáveis, principalmente em projetos temporários. Por isso uso muito equipamento alugado e meus cenários estão cada vez menos físicos.
3. Como você vê seu trabalho no futuro?
Espero poder trabalhar menos e melhor.
4. Como um dos artistas escolhidos pelo The Creators Project, você esteve na China. Quais suas impressões de lá?
Fui pra Pequim, Nova York e São Paulo, na verdade. Pequim é uma cidade fascinante, em rápida transformação. Cada vez menos hutongs (estradinhas) e mais freeway (auto-estrada) e mega construções. Mas os freeways não são suficientes pois vivem engarrafados o dia todo. O ar é péssimo. O lugar onde aconteceu o Creators, o 798 Art District, é sensacional: um antigo complexo de fábricas de armamentos tansformado em galerias. Uma fábrica ainda em atividade, soltando fumaça dia e noite através das enormes chaminés. Dutos e canos expostos nas ruas e muita coisa boa exposta nas galerias. Estive em Xangai também, pra ver a expo, que valeria uma viagem do Brasil só pra isso. Fora a expo, onde quase todas as contruções tinham fachadas animadas com LED, a cidade em si é inacreditável: o contraste do Art Deco do bund com os mega arranha-céus do outro lado do rio é de tirar o fôlego.
5. Qual a sua maior preocupação na hora de criar um trabalho?
Criar algo novo, bom e que cumpra bem a função.
6. Você faz muitos trabalhos com a moda, como cenografias de desfiles e até SPFW. Gosta de moda?
Moda é um dos ramos de design mais interessantes, pois a roupa é um produto que tem uma intimidade muito grande com o usuário, ganhando vida e movimento por isso. Sua relação com gente é tão íntima que precisa de gente para se apresentar. Você não vê desfile de carro ou de geladeira.
7. Quando vemos um trabalho que envolve luz e tecnologia, seu nome nos vem imediatamente à cabeça. O que acha desses projetos que se inspiram no seu trabalho?
Inspiram ou copiam? A linha que divide é tênue. As ideias e tecnologias estão no ar, logo coincidências podem ocorrer. Mas eu acho muito mais fácil pensar numa solução nova do que copiar uma coisa que já foi pensada para outra situação. Se eu tivesse que sair pesquisando material para copiar em cada trabalho que aparecesse, eu levaria mais tempo e minha vida não teria muita graça. Acho que os designers que precisam de livros e blogs de design para ter uma ideia deveriam pensar em mudar de profissão. Eu me obrigo a ler esse tipo de publicação. Justamente pra evitar coincidências. Já aconteceu de eu descobrir que havia algo parecido numa etapa avançada do projeto e começar tudo de novo.
8. Porque mora no Rio?
Porque é bonito.
9. O que tem escutado ultimamente?
A Galinha Pintadinha 1 e 2 (com a Stella, minha filha de 1 ano).
10. Tem alguém com quem você gostaria de bater um papo?
Eu sou meio tímido, prefiro ler ou ver a obra das pessoas que eu admiro, do que conversar com elas. Pra bater papo gosto dos amigos e familia.




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