Escravidão

Posted by Angel Inoue on Julho 26th, 2008 filed in comportamento

Já pensou em quanto nos tornamos escravo das coisas hoje em dia?

O tipo mais freqüente é a escravidão digital. Alguém consegue ficar um dia todo sem celular? Quando acaba a bateria é um baita desespero. E se não receber uma ligação (pelo menos) por dia, já começa a ficar encanado, achando que ninguém gosta da gente. E a escravidão à internet: checar os emails, tarefa urgentíssima, questão de vida ou morte. Se não entrar ao menos três vezes ao dia no Orkut, começa a dar uns calafrios, achando que perdeu uma ótima festa, que o gatinho ou amigo que mora longe te deixou um recado que vai mudar sua vida. E quando entra, só tem spam - convites chatérrimos que ainda te chamam pelo nome, fazendo a íntima (que audácia).

É perigoso levar o notebook à praia, porque pode ser que você fique tão entretido com o computador que recuse um belo dia de sol, um banho de mar, um frescobol com os amigos… Quando chega a hora em que você prefere ficar em frente ao computador a viver, é de se preocupar.

 

Mas tem outros tipos de escravidão. Tem gente que não consegue viver sem sexo. E fica irritado, rabugento, descontando em todo mundo seu não-prazer.

 

Tem também aqueles que são escravos da vaidade. Um novo ácido para a pele, um novo creme para as rugas, um novo tipo de botox, uma nova técnica pra deixar o bumbum mais arrebitado, um novo sei lá o que para rejuvenescer. Um papo com essa turma pode ser bem tedioso – ou não.

 

Existe também os escravos da balada. Não podem ficar um fim-de-semana em casa, sem fazer nada. Parece que a vida vira um vazio só. Por mais que a festa esteja horrível, as pessoas e as músicas sejam as mesmas, não dá pra deixar de ir. Afinal, quem não é visto não é lembrado – e se deixam de ir à festa ficam em casa comendo tudo que vêem pela frente, roendo as unhas, ligando pro povo que tá na festa sem parar, achando que o príncipe encantado da sua vida vai estar lá, e você em casa, assistindo Zorra Total em casa, assistindo a vida vai estar loi, roendo as unhas, ligando pro povo que tocidade maior. vete com po  – neurose pouca é bobagem. 

 

E a escravidão às drogas. Essa sim, mortal. Mas mata aos poucos. Mata a vontade de se arrumar, vai matando a pele, o cabelo, o brilho nos olhos, a alegria, a auto-estima.

 

Tudo que supostamente era para nos trazer liberdade, se não tomar cuidado, só nos traz mais e mais escravidão. Como diz um amigo: “Queridjinha, joga o cabelo, dá um pivô e se liberta!”


2 comentários para “Escravidão”

  1. Marcela Says:

    Que pena deles….
    Eu sou livre, consigo me desligar de toda essa parafernália eletrônica e ter noites de sábado no mais absoluto sossego.

  2. Ana Says:

    Só é escravo aquele que quer.

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